O delegado Cláudio Álvares Sant’Ana, diretor de Atividades Especiais (DAE), revelou nesta quinta-feira (21.08) que a operação Ludus Sordidus, voltada à desarticulação de uma facção ligada ao Comando Vermelho, evidenciou a disparidade entre os membros do grupo. Enquanto os “faccionados operários” vivem na pobreza, os líderes desfrutam de carros de luxo, casas milionárias e patrimônio elevado.
“É nítido que apenas o topo da pirâmide lucra. Esse líder já tinha atingido uma capacidade financeira muito alta, acumulando bens enquanto os subordinados continuam na miséria”, afirmou Sant’Ana.
Nesta manhã, a Polícia Civil cumpriu 38 mandados judiciais, incluindo prisões, sequestro de 12 imóveis e bloqueio de contas e valores que somam mais de R$ 13,3 milhões.
O delegado explicou que o objetivo da investigação não foi apenas prender os integrantes, mas também descapitalizar o grupo, bloqueando bens móveis e imóveis de alto valor que tem como lider, Sebastião Lauze, conhecido como Véio e “dono da quebrada”.
“O líder criminoso atuava em bairros como Osmar Cabral e Jardim Liberdade, promovendo jogos de azar, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Para se aproximar da população carente, ele usava ações sociais, presidindo times de futebol e distribuindo cestas básicas. Isso é o que chamamos de lavagem de imagem, criando uma aparência de assistencialismo para ocultar atividades ilícitas”, disse Sant’Ana.
O delegado Gustavo Colognesi Belão, titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), acrescentou que a facção utilizava fachadas legais para legitimar suas ações, incluindo times de futebol amadores, sites de apostas online (bets) e perfis de influencers. “Essa estratégia não é nova. Vem de modelos históricos como o de Al Capone: o crime menor é aceito socialmente, enquanto o líder acumula capital e poder”, afirmou Belão.
Segundo os delegados, a atuação da facção se ramifica por diversos bairros e cidades, controlando jogos de azar e apostas ilegais como WET e Campeão Bet. Embora algumas dessas apostas sejam regulamentadas, elas eram usadas para financiar crimes e expandir o poder do grupo.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, com base em investigações conduzidas pela GCCO e Draco. A operação resultou no sequestro de 12 imóveis e no bloqueio de contas e valores financeiros, marcando um passo importante na luta contra o crime organizado no Estado.
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