O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nessa segunda-feira (15.12) novas diligências na investigação que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, um dos sócios do Banco Master. A decisão estabelece prazo de 30 dias para que a Polícia Federal (PF) realize depoimentos de investigados e de autoridades do Banco Central, além de permitir a requisição de novas informações e pedidos de quebra de sigilo telefônico, caso sejam considerados necessários para o avanço das apurações.
A investigação passou a tramitar no STF após a citação de um deputado federal nos autos, o que atraiu a competência da Corte em razão do foro privilegiado. Com isso, todas as próximas medidas judiciais dependem de autorização direta do ministro relator, que também determinou a manutenção do sigilo do processo. O caso ganhou repercussão nacional após a deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro, que apura a concessão de créditos falsos, a emissão de títulos lastreados em operações simuladas e a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), instituição ligada ao governo do Distrito Federal.
De acordo com a Polícia Federal, as fraudes investigadas podem ter movimentado entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões. Além de Vorcaro, são investigados ex-diretores do banco e um ex-sócio. No fim de novembro, eles chegaram a ser presos, mas foram soltos por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, passando a cumprir medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de atuar no sistema financeiro, de manter contato com outros investigados e de deixar o país. Durante a operação, a PF também apreendeu dinheiro em espécie e afastou dirigentes do BRB. A instituição informou que contratou auditoria externa para apurar possíveis falhas de governança e controles internos.
O caso ganhou contornos ainda mais amplos com denúncias envolvendo contratos consignados de servidores públicos de Mato Grosso. Segundo o Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig), empréstimos que deveriam ser consignados tradicionais teriam sido registrados irregularmente como cartões de crédito consignado, inflando artificialmente carteiras de recebíveis usadas pelo Banco Master para sustentar operações bilionárias no mercado financeiro. O sindicato afirma que servidores foram expostos a juros elevados e que o Estado falhou na fiscalização, permitindo a atuação de instituições não credenciadas ou com dados divergentes nos contratos. As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público e à Polícia Federal e podem colocar Mato Grosso no centro dos próximos desdobramentos da investigação nacional.
*Com informações da Agência Brasil