No futebol feminino mato-grossense, a presença indígena se afirma como identidade e resistência. Em diferentes camisas, mas compartilhando a mesma origem, atletas indígenas ocupam o campo não apenas como jogadoras rivais, mas como representantes de uma força que atravessa gerações. Quando o apito soa, a disputa existe — mas ela caminha lado a lado com pertencimento, respeito e ancestralidade.
Entre essas histórias está Mayra, da etnia Paresi, que conversa conosco para esta matéria e compartilha uma trajetória que vai além das quatro linhas. O futebol entra em sua vida ainda na infância, como brincadeira, e amadurece como ponte. Torna-se conexão com sua comunidade, com suas raízes e com outras culturas. Nas aldeias próximas, o esporte fortalece laços, incentiva a união e aproxima povos originários.
A pintura corporal, feita com tinta de jenipapo preparada dias antes da partida, vai muito além da estética. Ela representa proteção, identidade e responsabilidade. “Quando estou pintada, sinto que estou representando minha família”, relata Mayra. Uma frase curta, carregada de memória e significado. Em campo, ela não carrega apenas um nome — carrega histórias.
Ali, vestindo cores diferentes e defendendo escudos distintos, essas atletas mostram que a rivalidade não apaga o que as une. Pelo contrário: evidencia a potência de estarem juntas, ocupando o mesmo espaço, disputando com intensidade e respeito, e reafirmando que o futebol também é território indígena.
Divulgar essa história agora é reconhecer que essa presença não foi um episódio isolado. É contínua. E será de imensa satisfação e prazer vê-las novamente em campo neste ano, seguindo como inspiração para meninas indígenas e para todas que enxergam no esporte um lugar possível de identidade, voz e futuro.