Quarta, 26 de Agosto de 2026

Nova greve dos caminhoneiros? Categoria ameaça parar se MP do frete não for votada

“Estamos mais organizados do que em 2018”, diz líder da categoria. Texto ainda não foi colocado em votação pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre

10/07/2026 às 09h30
Por: Redação Fonte: Veja
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Na avaliação de Landim, a demora decorre da disputa política entre Lula e Alcolumbre (Douglas Magno/AFP)
Na avaliação de Landim, a demora decorre da disputa política entre Lula e Alcolumbre (Douglas Magno/AFP)

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou, em entrevista nesta sexta-feira, 10, que a categoria está mais organizada do que em 2018 para uma eventual greve dos caminhoneiros nos próximos dias. 

A possibilidade de uma paralisação ganhou força porque a Medida Provisória do Piso do Frete perde a validade no próximo dia 16 de julho caso não seja aprovada pelo plenário do Senado. “Estamos mais organizados do que em 2018. Essa pauta precisa passar. É um projeto de país, e não de governo”, disse Chorão. 

A Medida Provisória nº 1.343/2026, conhecida como MP do Piso do Frete, endurece as regras para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário de cargas. O principal objetivo é impedir que embarcadores e transportadoras contratem serviços por valores inferiores aos mínimos estabelecidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A MP foi assinada em 19 de março de 2026 e já recebeu o aval da Câmara dos Deputados. Para não perder a validade, o texto precisa ser aprovado pelo plenário do Senado até 16 de julho. Até o momento, porém, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não incluiu a proposta na pauta de votações. 

Na avaliação de Landim, a demora decorre da disputa política entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo ele, após o embate entre os dois em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), Alcolumbre teria prometido, nos bastidores, não levar à votação projetos assinados pelo governo.

O presidente da Abrava afirma que, se a medida provisória perder a validade, cresce significativamente a possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros. Segundo ele, sem as mudanças previstas na proposta, o transporte rodoviário se torna economicamente viável apenas para caminhões de nove eixos. 

“Os caminhões de cinco ou sete eixos não conseguem trabalhar. A chance de equalizarmos a vida do caminhoneiro é agora. E vem o Alcolumbre e segura o projeto por questão de ego político? Não vamos aceitar, jamais!”, afirmou. 

Questionado sobre quando uma eventual greve poderia começar e qual seria sua dimensão, Landim evitou dar detalhes. Ainda assim, estimou que cerca de 60% da categoria apoiaria uma paralisação caso a medida provisória não seja aprovada até 16 de julho. O Congresso Nacional entra em recesso no próximo dia 18 de julho, outro elemento que aumenta as tensões.

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