Justiça EM CAMPO VERDE
Juiz reforça fiscalização e manda apurar denúncias na falência do 'rei do algodão'
Juiz reforça fiscalização e manda apurar denúncias na falência do 'rei do algodão'
26/08/2026 11h22
Por: Redação Fonte: Gazeta Digital
Reprodução

Poucos dias depois de ser reconduzida provisoriamente pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) à administração judicial da massa falida de José Pupin e Vera Lúcia Camargo Pupin, Gláucia Albuquerque Brasil passou a atuar sob um regime extraordinário de fiscalização. O juiz Raul Lara Leite, da 1ª Vara de Campo Verde, determinou a abertura de procedimento específico para apurar acusações feitas por credores e estabeleceu que atos de maior relevância deverão ser submetidos previamente ao advogado da massa falida.

O magistrado registra a existência de “graves questionamentos” sobre a atuação de Gláucia. Entre eles, a Vallus Agrícola relatou supostos repasses ocultos de aproximadamente R$ 6,9 milhões e alegado excesso de cerca de R$ 5,63 milhões em pagamentos realizados por empresa familiar dos devedores. Já a Max Securitizadora pediu a destituição da administradora, arresto de bens e remessa de informações às esferas penal e correicional.

O New Distressed FIDC, por sua vez, apresentou notícia de suposta coação e tentativa extrajudicial de obtenção ou quebra irregular de sigilo financeiro, enquanto a Global Trade também levou novas acusações ao processo.

Embora ainda sob investigação, o juiz afirma que “a gravidade objetiva das ocorrências narradas, a multiplicidade de credores que trouxeram questionamentos aos autos [e] os valores econômicos envolvidos” tornam “inadequado que este Juízo permaneça inerte”.

De acordo com a decisão, todos os atos da administradora Gláucia Albuquerque Brasil, considerados relevantes, deverão ser submetidos a um controle adicional. Movimentações patrimoniais, contratos, pagamentos extraordinários, alienações, levantamentos de valores, contratação de terceiros, transações e outras medidas com repercussão econômica deverão ser acompanhadas de parecer prévio e fundamentado do advogado da massa falida, Décio José Tessaro.

O juízo de Campo Verde determinou também a instauração de um procedimento apartado exclusivamente para investigar as acusações contra a administradora. O incidente reunirá as manifestações da Vallus, Max Securitizadora, New Distressed e Global Trade, além de documentos anteriormente encaminhados ao Tribunal.

A decisão registra ainda que algumas das acusações “ultrapassam questões meramente patrimoniais ou administrativas” e determina que o Ministério Público avalie as providências cabíveis, inclusive sob a ótica da legislação falimentar.

O juíz Raul Lara também anulou um edital publicado no processo e afirmou que houve “notável irregularidade”. Segundo ele, o documento teria sido expedido pelo gestor judiciário “a mando e ingerência direta da atual Administradora Judicial, à absoluta revelia deste Magistrado”.

Para o juiz, houve “patente violação à ordem judicial” e “manifesto tumulto processual”. O edital foi cancelado, assim como os prazos dele decorrentes, e o servidor responsável deverá prestar esclarecimentos em cinco dias.

As novas medidas reforçam os questionamentos que já vinham sendo levantados sobre a atuação da administradora no processo. Gláucia acompanhou praticamente toda a recuperação judicial do Grupo Pupin, iniciada em 2015 e convertida em falência em 2026, após anos de discussões envolvendo credores, pagamentos e cumprimento do plano.