Cidades CENSO DE PRIMATAS
Alta Floresta terá primeiro censo de primatas para avaliar população de macacos no perímetro urbano
Alta Floresta terá primeiro censo de primatas para avaliar população de macacos no perímetro urbano
08/09/2026 11h30
Por: Redação Fonte: Gazeta Digital
Ivã Schuster

Alta Floresta terá o primeiro censo de primatas para avaliar a população de macacos existente no perímetro urbano. A cidade, no norte de Mato Grosso, mantém grandes fragmentos de floresta amazônica nativa dentro da área urbana, o que sustenta uma grande população de primatas e outros animais da fauna da Amazônia. Os macacos interagem com a população e podem ser avistados nas ruas, nos bairros e até no comércio.

 

O levantamento, realizado pelo projeto Reconecta em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), já foi concluído neste ano e está em fase de avaliação dos dados. A proposta é que o censo seja realizado e entregue todos os anos.

 

O censo percorreu quatro fragmentos florestais urbanos e peri-urbanos: Reserva Surucuá, Fazenda Anacã, Parque Zoobotânico e Refúgio dos Padres. Em cada área, o trabalho durou cinco dias. A equipe usou duas metodologias: transecto linear e drone com câmera térmica. No transecto, os pesquisadores percorrem as trilhas devagar, com botas, para não fazer barulho e não atrapalhar a detecção dos animais e de suas vocalizações. O drone térmico identifica o calor dos animais durante o sobrevoo das áreas florestais.

 

O levantamento, realizado neste ano pelo Projeto Reconecta em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), já foi concluído e encontra-se em fase de análise dos dados. A colaboração com a UFV ocorre por meio do Prof. Dr. Fabiano Melo, especialista reconhecido nacional e internacionalmente pelo uso de drones termais em pesquisas com primatas.

 

Luan Goebel, biólogo, pesquisador de pós-doutorado da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pesquisador associado ao Instituto Reconecta, explica o que é observado em cada área: quais espécies de primatas estão presentes nos fragmentos florestais, quantos indivíduos existem, do que os animais estão se alimentando e quais são os seus comportamentos. Cada encontro com um grupo de macacos vira registro com hora, espécie, distância da trilha, atividade e coordenadas geográficas. "Essas informações são fundamentais para conhecermos melhor o tamanho, a distribuição e a situação dessas populações nos fragmentos florestais do município", diz o pesquisador.

As seis espécies de primatas previstas para a região foram registradas nas áreas amostradas: bugio-vermelho (Alouatta puruensis), macaco-aranha (Ateles chamek), macaco-prego (Sapajus apella), mico-de-Schneider (Mico schneideri), macaco-da-noite (Aotus azarae) e zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi).

 

O resultado será publicado em breve e fara parte de um monitoramento de longo prazo em Alta Floresta. Esses dados poderão apoiar as atividades futuras do programa Alta Floresta Não Atropela.

 

Além disso, serão compartilhados com a Fazenda Anacã, a Reserva Surucuá (FEC), a Prefeitura de Alta Floresta, o projeto Reconecta e a Unemat. As informações devem orientar a definição de novos pontos para instalação de pontes artificiais, a criação de corredores ecológicos e ações de reflorestamento, além de permitir que estudantes da Unemat continuem acompanhando e monitorando as populações.

 

Fernanda Abra, bióloga e coordenadora do projeto Reconecta, afirma que o censo, iniciado em 2026 e repetido nos próximos anos, permitirá entender a dinâmica da população ao longo dos anos com as mudanças da paisagem em Alta Floresta.

 

A convivência entre macacos e moradores motivou a prefeitura a lançar a campanha "Alta Floresta não alimenta animais silvestres". A ação orienta a população a não oferecer comida aos primatas. José Alessandro Rodrigues, da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, conta que pessoas levavam comida pronta e restos de jantar para os animais. A campanha busca evitar a transmissão de doenças entre animais e humanos e entre animais silvestres e domésticos. Alimentos industrializados, com óleo, sal e açúcar, não fazem parte da dieta dos primatas.
"A pessoa não imaginava o tamanho do impacto que estaria causando a longo prazo nesses animais", diz.