Esportes DÍVIDAS ARREBENTARAM
Presidente do Cuiabá cobra Corinthians e Santos
Presidente do Cuiabá cobra Corinthians e Santos
24/09/2026 12h00
Por: Redação Fonte: Power Mix
ge/mt

O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, voltou a cobrar o Corinthians pelo atraso no pagamento referente à contratação do volante Raniele, negociado pelo clube mato-grossense em 2024. Em entrevista ao programa “Fala a Fonte”, da ESPN, o dirigente também criticou a renovação de Memphis Depay e defendeu punições mais rígidas para clubes que acumulam dívidas no futebol brasileiro.

A pendência envolvendo Raniele foi levada à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que determinou o pagamento do débito em 24 parcelas. Segundo Dresch, o Corinthians deixou de pagar uma parcela em julho e terá outro vencimento em outubro.

“O caso do Cuiabá em 2024 com o Corinthians foi emblemático. Eles compraram o Raniele da gente em 2024. Jogamos com o Corinthians na casa deles e empatamos. No segundo turno, apareceram em Cuiabá com outro time! Com Memphis, etc. Perdemos lá dentro… Não foi isso que fez a gente cair, mas foi importante”, afirmou.

Cuiabá tem R$ 43 milhões a receber

Dresch afirmou que o Cuiabá acumula cerca de R$ 43 milhões em valores a receber de outros clubes. Na avaliação do dirigente, a inadimplência comprometeu o fluxo de caixa e contribuiu para que o Dourado também enfrentasse dificuldades para cumprir seus próprios compromissos.

Segundo o presidente, o Cuiabá está sob transfer ban, embora já tenha recursos para regularizar a pendência.

“O Cuiabá hoje está sob transfer ban. Já temos o dinheiro para pagar, mas por que levamos? Porque essas dívidas arrebentaram nosso fluxo de caixa. A gente tem que arrumar dinheiro de qualquer jeito, e isso nos atrapalha demais. Se eu tivesse um terço desse dinheiro que tenho para receber, uns R$ 12 milhões desses R$ 43 milhões, a gente estaria em outra situação”, declarou.

Dresch critica renovação de Memphis

Ao comentar a permanência de Memphis Depay no Corinthians, Dresch classificou tanto o contrato inicial quanto a renovação como “absurdos”. Para ele, as dificuldades financeiras e as restrições enfrentadas pelo clube paulista limitaram suas alternativas no mercado.

“Eu achei absurda a renovação. O contrato inicial do Memphis já era absurdo, a renovação foi absurda, mas o Corinthians ficou de mãos atadas. Já estavam com transfer ban, não iam conseguir contratar ninguém, então tiveram que renovar. É um caos administrativo. Sei que é difícil para um time do tamanho do Corinthians”, afirmou.

Presidente defende perda de pontos

O dirigente do Cuiabá também cobrou uma atuação mais rígida dos mecanismos de controle financeiro do futebol brasileiro. Na avaliação dele, apenas impedir novas contratações não é suficiente para combater a inadimplência.

Dresch defendeu, inclusive, que clubes que descumprirem obrigações financeiras possam sofrer perda de pontos.

“O transfer ban hoje está se mostrando insuficiente. Precisa ter perda de pontos. O Corinthians, se tivesse ameaçado perder três pontos, esse dinheiro já teria saído de algum lugar”, declarou.

O presidente também citou Santos, Vasco e Botafogo durante as críticas e argumentou que clubes que mantêm as contas em dia acabam prejudicados esportivamente quando adversários endividados continuam reforçando seus elencos.

As declarações sobre esses clubes representam a avaliação de Dresch sobre a situação financeira e esportiva das equipes.

Cobrança de R$ 18 milhões ao Santos

Segundo Dresch, somente o Santos teria uma dívida de aproximadamente R$ 18 milhões com o Cuiabá. O dirigente questionou como equipes com pagamentos pendentes conseguem realizar contratações de alto custo.

“Como um clube que deve R$ 18 milhões ao Cuiabá contrata um jogador pagando R$ 2 milhões por mês?”, questionou.

Para dimensionar o impacto das pendências, Dresch afirmou que a folha salarial atual do Cuiabá gira em torno de R$ 1,6 milhão por mês. Dessa forma, segundo ele, os valores a receber representam uma parcela significativa da capacidade financeira do clube.

“A folha salarial do Cuiabá hoje é de R$ 1,6 milhão por mês. Esse dinheiro que entraria para mim é a sobrevivência. Eu vou sempre defender meu clube”, afirmou.

Apesar das críticas ao Corinthians, Dresch disse considerar o presidente do clube paulista, Osmar Stabile, uma pessoa séria, mas avaliou que o dirigente assumiu uma situação financeira complexa.