Por Luiz Fernando Fernandes
Existem momentos em que a vida parece suspender a própria respiração. O instante em que uma mulher recebe o diagnóstico de câncer de mama pode ser um deles. De repente, surgem perguntas para as quais ninguém está preparado. Como será o amanhã? E a família? O trabalho? Os sonhos? O próprio corpo? E, talvez, a mais angustiante de todas: vou conseguir vencer essa doença?
É nesse momento que compreendemos que o câncer não atinge apenas uma parte do corpo. Ele atravessa sentimentos, modifica rotinas, desafia relações e coloca à prova a estrutura emocional de famílias inteiras.
Mas existe algo que nenhuma doença deveria conseguir roubar: o direito de continuar vivendo com dignidade, esperança e amor.
Todos os anos, outubro chega vestido de rosa. Monumentos recebem iluminação especial, campanhas ocupam as redes sociais e laços coloridos se multiplicam nas roupas. São gestos importantes, sem dúvida. Mas precisamos avançar para além dos símbolos.
A conscientização só cumpre seu papel quando se transforma em atitude. E o acolhimento só ganha sentido quando se transforma em presença.
Foi com essa compreensão que o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso (CRECI-MT), Claudecir Contreira, e a diretora da Mulher (CRECI-MT), Camila Kneip visitaram a MTmamma, em Cuiabá.
Mais do que conhecer o trabalho de uma entidade dedicada ao enfrentamento do câncer de mama, a iniciativa representa a preocupação da atual gestão do Conselho com questões que ultrapassam os limites da atividade profissional e alcançam a vida das pessoas.
Afinal, por trás de cada corretora de imóveis existe uma mulher. Uma mãe, uma filha, uma esposa, uma amiga. Alguém que enfrenta desafios, carrega responsabilidades, alimenta sonhos e que também precisa de atenção, cuidado e acolhimento.
E foi justamente essa percepção que ajudou a dar sentido ao Viva a Vida, evento idealizado pelo CRECI-MT para ampliar a conscientização, incentivar o cuidado com a saúde e fortalecer os laços de solidariedade.
É justamente nesse caminho entre conscientização, solidariedade e compromisso social que nasce a proposta do Viva a Vida, evento promovido pelo CRECI-MT no dia 28 de outubro, a partir das 14 horas.
A iniciativa, conduzida pelo presidente Claudecir Contreira e pela Diretoria da Mulher, sob a liderança de Camila Kneip, busca ampliar o diálogo sobre a saúde feminina e incentivar uma cultura de prevenção, cuidado e acolhimento.
A participação da MTmamma aproxima o evento de uma realidade vivida diariamente por mulheres que conhecem, de maneira muito particular, a importância de encontrar apoio nos momentos mais difíceis.
Ao promover essa mobilização, o CRECI-MT reafirma uma compreensão fundamental: uma instituição não pode estar comprometida apenas com a atividade profissional que representa, mas também com o bem-estar das pessoas que fazem parte dela e da sociedade em que está inserida.
O Viva a Vida é, acima de tudo, um convite para olhar a existência com mais sensibilidade.
É um chamado para que as mulheres reservem tempo para si, procurem orientação médica, realizem os exames recomendados e compreendam que cuidar da própria saúde não é egoísmo. É necessidade.
É também um convite aos homens, às famílias, aos amigos e à sociedade para que participem dessa rede de atenção e solidariedade.
Porque ninguém deveria precisar adoecer para descobrir a importância de ser cuidado.
“O Outubro Rosa precisa deixar marcas que permaneçam depois que as campanhas terminarem e os laços forem guardados. Precisamos falar de exames, diagnóstico precoce e tratamentos. Mas também precisamos falar de abraços, escuta, respeito, reconstrução e futuro. ” Lembrou o presidente do CRECI-MT Claudecir Contreira.
Precisamos lembrar que nenhuma mulher tem a obrigação de ser forte o tempo inteiro. Que sentir medo não diminui ninguém. Que pedir ajuda não representa fraqueza.
O trabalho da MTmamma demonstra diariamente que acolher é uma forma concreta de amar. A iniciativa do CRECI-MT, por meio do Viva a Vida, procura ampliar essa mensagem e transformá-la em compromisso coletivo.
Que a solidariedade não tenha prazo de validade.
Que a prevenção se transforme em hábito.
Que o atendimento humanizado seja regra, nunca exceção.
E que o cuidado continue presente muito depois de outubro.
Porque, no fim das contas, a maior homenagem que podemos prestar às mulheres que enfrentam o câncer de mama não está apenas nas campanhas que realizamos.
Os números revelam a dimensão do desafio.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 2,4 milhões de mulheres foram diagnosticadas com câncer de mama no mundo em 2024. Naquele mesmo ano, cerca de 694 mil morreram em decorrência da doença.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos por ano entre 2026 e 2028. Em Mato Grosso, a previsão para 2026 é de 930 novos diagnósticos.
São números que impressionam, preocupam e exigem respostas.
Mas existe algo que as estatísticas não conseguem mostrar: o medo de uma mãe que ainda tem filhos pequenos, a angústia diante de um exame, a insegurança provocada pelas mudanças no próprio corpo ou a esperança silenciosa de quem aguarda o resultado de um tratamento.
Por trás de cada número existe uma história que merece continuar sendo escrita.
E nenhuma dessas mulheres deveria enfrentar essa caminhada sozinha.
Criada em março de 2009, em Cuiabá, a MTmamma – Amigos do Peito construiu, ao longo de 17 anos, uma trajetória de solidariedade, dedicação e respeito às mulheres que enfrentam ou enfrentaram o câncer de mama.
Atualmente, a instituição acolhe cerca de 150 mulheres. Desde sua fundação, aproximadamente 380 já receberam assistência.
A associação oferece atendimento psicossocial, terapias integrativas, atividades físicas, apoio para realização de exames e consultas, além da distribuição de cestas básicas e sutiãs destinados a mulheres que passaram pela mastectomia.
A MTmamma mantém também o primeiro Banco de Perucas de Mato Grosso, disponibilizando, por empréstimo, perucas para mulheres assistidas pela entidade.
São iniciativas que representam muito mais do que assistência material.
“Uma cesta básica significa alimento chegando à mesa de uma família que, muitas vezes, enfrenta dificuldades financeiras agravadas pela doença. Uma consulta pode representar o início de uma nova etapa no tratamento. Uma peruca pode ajudar a mulher a se reconhecer novamente diante do espelho. Mas talvez o maior valor desse trabalho esteja justamente naquilo que não pode ser medido: a capacidade de fazer alguém sentir que não foi esquecida. ” Disse a presidente da MTmamma Karen Mathias.
Ao visitar a instituição, Claudecir Contreira e Camila Kneip aproximaram o CRECI-MT dessa realidade e reforçaram a importância de mobilizar a sociedade em torno de uma causa que não pertence apenas às mulheres diagnosticadas com câncer.
Pertence a todos nós.
Porque cuidar de uma mulher também significa cuidar das pessoas que fazem parte de sua vida.
Entretanto, reconhecer a importância do acolhimento também exige olhar para as dificuldades enfrentadas por quem depende do sistema de saúde.
“O principal que identificamos aqui hoje foi que não basta recomendar exames se muitas mulheres encontram obstáculos para realizá-los. Não basta falar em diagnóstico precoce quando a espera por consultas, procedimentos e tratamentos pode comprometer a saúde e aumentar a angústia das famílias. ” Disse a diretora da mulher do CRECI-MT Camila Kneip.
O câncer não espera. E a vida de uma mulher não pode depender da sorte de encontrar uma vaga, da capacidade de pagar por um exame ou do tempo de uma fila.
O trabalho de entidades como a MTmamma é extraordinário, mas não pode substituir a responsabilidade do poder público.
A solidariedade precisa caminhar ao lado de políticas públicas eficientes, capazes de assegurar diagnóstico oportuno, tratamento adequado e atendimento humanizado.
O Outubro Rosa deve ser também um momento de reflexão sobre essas responsabilidades.
Porque iluminar um prédio de rosa é importante. Mas garantir que uma mulher receba atendimento no momento em que mais precisa é indispensável.
Está nas vidas que ajudamos a cuidar.
E se existe uma causa capaz de unir toda a sociedade, essa causa tem um nome: VIDA.
Informações: www.crecimt.gov.br
@crecimt