A política brasileira está mudando. E, em Mato Grosso, as urnas deram um recado que não pode ser ignorado: as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço, reconhecimento e protagonismo nas decisões que definem o futuro da nossa sociedade. Não se trata apenas de uma vitória feminina, mas de um avanço na própria democracia.
As eleições de 2026 representam um marco nessa trajetória. Tive a honra de me tornar a deputada federal mais votada da história de Mato Grosso, superando as votações já alcançadas por homens e mulheres na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados. Mais do que um recorde pessoal, enxergo esse resultado como uma demonstração de confiança, responsabilidade e, principalmente, da força que as mulheres têm para conquistar espaços historicamente ocupados pelos homens.
Nosso estado também alcançou marcas importantes ao eleger duas mulheres para a Câmara dos Deputados e duas para a Assembleia Legislativa. São conquistas que merecem ser celebradas, mas que também precisam provocar uma reflexão: por que, mesmo sendo mais da metade da população brasileira, as mulheres ainda enfrentam tantas dificuldades para alcançar posições de poder?
Durante décadas, a política foi tratada como um ambiente predominantemente masculino. Muitas mulheres precisaram provar repetidas vezes sua capacidade, enfrentar preconceitos, superar resistências e conciliar responsabilidades que nem sempre são cobradas dos homens na mesma proporção.
Essa realidade está mudando, mas ainda estamos longe de uma representação proporcional à importância das mulheres na sociedade.
Defendo que a presença feminina na política não pode ser reduzida a uma questão de números ou ao cumprimento de cotas eleitorais. O verdadeiro avanço acontece quando uma mulher conquista o respeito da população por suas ideias, sua capacidade de liderança, seu trabalho e seus resultados.
Também não podemos aceitar a ideia de que existe uma única maneira de uma mulher fazer política. Somos diferentes, temos convicções, ideologias, histórias, profissões e visões de mundo distintas. E é justamente essa pluralidade que fortalece a democracia. A mulher precisa ter liberdade para defender aquilo em que acredita, sem ser desqualificada por não corresponder às expectativas ou aos posicionamentos de determinados grupos.
A experiência nos mostra que liderança não tem gênero. Tem preparo, coragem, compromisso e responsabilidade. Mulheres administram empresas, comandam instituições, atuam nas forças de segurança, sustentam famílias, produzem no campo, empreendem e transformam comunidades. Não existe razão para que essa capacidade não esteja igualmente representada nos espaços onde as grandes decisões são tomadas.
Mas há outro desafio que considero fundamental: incentivar novas lideranças. A representatividade não pode depender apenas das mulheres que já conseguiram romper barreiras. Precisamos abrir caminhos para aquelas que ainda não tiveram oportunidade, especialmente no interior de Mato Grosso, onde tantas mulheres exercem papéis decisivos em suas comunidades, mas permanecem distantes das estruturas partidárias e dos espaços de poder.
A participação feminina na política não pode ser vista apenas como uma exigência da legislação eleitoral. Precisamos investir na formação de lideranças, na valorização do trabalho e na construção de oportunidades.
A violência política contra as mulheres também precisa ser enfrentada com firmeza. Divergências fazem parte da democracia. Ataques pessoais, ameaças, intimidações e tentativas de silenciamento não podem ser naturalizados. Nenhuma mulher deve precisar escolher entre defender suas convicções e preservar sua dignidade.
Tenho plena consciência de que cada conquista traz consigo uma responsabilidade ainda maior. A votação histórica que recebi, a maior já alcançada por um candidato à Câmara Federal em Mato Grosso, independentemente do gênero, não representa um ponto de chegada, mas um compromisso renovado com nosso estado, com as famílias e com todos aqueles que acreditam em uma política construída com trabalho, firmeza e resultados.
Quero que outras mulheres olhem para essas conquistas e compreendam que também podem chegar lá. Que uma jovem do interior, uma mãe de família, uma policial, uma professora, uma produtora rural ou uma empresária saiba que seu lugar também pode ser no Parlamento, no comando de uma instituição ou em qualquer posição de liderança que deseje ocupar.
O avanço da participação feminina não significa uma disputa entre homens e mulheres. Significa construir uma sociedade em que talento, competência e dedicação tenham mais peso do que o gênero de quem ocupa uma cadeira.
Mato Grosso deu um passo importante em 2026. Agora, nosso desafio é transformar esse resultado eleitoral em uma mudança duradoura.
Porque a verdadeira conquista não será apenas termos mais mulheres eleitas, mas chegarmos ao dia em que uma mulher ocupar qualquer espaço de poder sem que isso ainda precise ser considerado uma exceção.