Quinta, 27 de Agosto de 2026

Muito além de vender imóveis: a função social do corretor de imóveis

No dia 27 de agosto celebramos o Dia do Corretor de Imóveis.

27/08/2026 às 12h08
Por: Redação
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Muito além de vender imóveis: a função social do corretor de imóveis

Mais do que uma data comemorativa, talvez seja uma oportunidade para refletirmos sobre algo que nem sempre recebe a devida atenção: qual é, afinal, a importância social do corretor de imóveis? A resposta mais imediata seria dizer que ele é o profissional que aproxima quem quer vender de quem deseja comprar, ou o proprietário de quem procura um imóvel para alugar. Tudo isso é verdade. Mas é pouco. Porque, quando observamos com atenção tudo o que acontece antes, durante e depois de uma negociação imobiliária, percebemos que o corretor ocupa uma posição muito mais importante na sociedade. Ele trabalha com patrimônio, movimenta a economia, contribui para a realização de projetos de vida e participa de um mercado que gera empregos, renda, serviços e receitas públicas. E, sobretudo, trabalha com algo profundamente humano: o lugar onde a vida acontece. Uma profissão regulamentada porque sua atividade importa Existem inúmeras atividades que podem ser exercidas livremente. Outras, porém, recebem uma atenção especial da sociedade e são regulamentadas. Isso acontece porque determinadas profissões lidam com interesses importantes demais para que sejam exercidas sem qualquer formação, responsabilidade ou fiscalização. Pensamos assim quando entregamos nossa saúde a um profissional. Pensamos assim quando confiamos uma obra a alguém. E também devemos pensar assim quando uma pessoa participa da negociação de um patrimônio que, muitas vezes, representa a economia de uma vida inteira. No Brasil, a profissão de corretor de imóveis possui regulamentação própria desde a década de 1960. Atualmente, a legislação estabelece formação profissional, atribuições e uma estrutura de fiscalização da atividade. E isso tem uma razão que vai muito além da proteção da própria categoria. Uma profissão regulamentada também existe para proteger a sociedade que depende do trabalho daquele profissional. No mercado imobiliário, essa proteção ganha especial importância. Quem compra um imóvel pode estar assumindo uma obrigação financeira por vinte ou trinta anos. Quem vende pode estar negociando o maior patrimônio que conseguiu construir durante toda a vida. Quem aluga está escolhendo o lugar onde irá morar. Não estamos falando, portanto, de uma relação comercial qualquer. Estamos falando de decisões que podem mudar destinos. Um imóvel nunca é apenas um imóvel Para entender a importância do corretor, primeiro precisamos compreender o significado daquilo com que ele trabalha. Uma casa não é simplesmente um conjunto de paredes, portas e janelas. Um apartamento não é apenas metragem, localização e preço. Para uma família, aquele imóvel pode representar anos de economia. Pode ser o primeiro patrimônio. Pode ser independência. Pode significar sair do aluguel. Pode ser o quarto que os pais imaginaram para um filho que ainda nem nasceu. Pode ser o lugar escolhido para envelhecer. Pode ser o endereço de um recomeço. Até mesmo um imóvel comercial carrega histórias. Atrás daquela sala, loja ou terreno pode estar alguém apostando as economias na criação de uma empresa e na construção do próprio futuro. Por isso, quando falamos que o corretor de imóveis é um “vendedor de sonhos”, existe muita verdade nessa expressão. Mas acredito que podemos ir além. O bom corretor não vende o sonho. Ele ajuda a construir o caminho entre o sonho e a sua realização. Entre a moradia e a dignidade Existe uma dimensão ainda mais profunda nessa atividade. A nossa própria Constituição reconhece a moradia como um direito social. Naturalmente, garantir esse direito envolve políticas públicas, planejamento urbano, habitação popular, financiamento, infraestrutura e inúmeras responsabilidades do Estado e da sociedade. O corretor de imóveis não substitui essas responsabilidades. Mas existe algo bonito nessa relação: ele trabalha diariamente em um dos espaços concretos em que a moradia deixa de ser apenas um conceito e passa a ter endereço, porta, janela e chave. Todos os dias existem famílias procurando onde morar. Existem pessoas buscando seu primeiro imóvel. Existem pais tentando encontrar uma casa melhor para os filhos. Existem pessoas que precisam vender para recomeçar. Existem proprietários com imóveis disponíveis e pessoas procurando exatamente aquilo que eles têm a oferecer. E existe alguém aproximando esses dois lados. Esse alguém, muitas vezes, é o corretor. Sua atividade possui natureza econômica, evidentemente. É uma profissão e deve ser remunerada. Mas isso não elimina sua dimensão social. Ao contrário. É justamente porque existe atividade econômica organizada que milhões de necessidades humanas conseguem encontrar soluções no mercado. O corretor participa desse encontro. Quando uma venda movimenta muito mais do que um imóvel Existe ainda outro aspecto pouco lembrado quando falamos da função social do corretor de imóveis. Uma negociação imobiliária não movimenta apenas comprador, vendedor e corretor. Ela coloca em funcionamento uma engrenagem econômica muito maior. Pense no que acontece quando um imóvel é vendido. Existe o trabalho de intermediação. Podem existir avaliação, financiamento e serviços bancários. Existem documentos, escrituras e registros. Depois da compra, frequentemente surgem mudanças, reformas, pinturas, eletrodomésticos, serviços. Pedreiros, seguros pintores, projetos, móveis, e inúmeros outros arquitetos, engenheiros, transportadores, marceneiros, eletricistas, lojas, bancos, cartórios, empresas e profissionais dos mais diferentes setores podem participar direta ou indiretamente daquilo que começou com uma negociação imobiliária. Uma chave muda de mãos e, ao redor dela, uma pequena economia começa a girar. É por isso que o mercado imobiliário possui um efeito que ultrapassa suas próprias fronteiras. E o corretor está justamente em uma das pontas que ajudam a colocar essa engrenagem em movimento. O negócio também gera recursos para a sociedade Há ainda uma consequência que quase nunca lembramos quando vemos uma fotografia da entrega das chaves. A atividade imobiliária também contribui para a geração de receitas públicas. Quando ocorre uma transmissão imobiliária onerosa, por exemplo, pode haver incidência do ITBI, imposto municipal relacionado à transmissão do imóvel. A própria prestação do serviço de corretagem integra uma atividade econômica sujeita à tributação, observadas, evidentemente, as particularidades de cada caso e do regime tributário aplicável. Outras atividades que surgem ao redor daquele negócio também movimentam empresas, profissionais, consumo e arrecadação. É importante fazer aqui uma distinção: o corretor não é, simplesmente por exercer sua profissão, um “arrecadador de impostos” em nome do Estado. Sua contribuição acontece de outra maneira, talvez até mais interessante. Ele ajuda a gerar o fato econômico. Aproxima as partes. Viabiliza o negócio. O negócio movimenta patrimônio. A movimentação econômica. patrimonial gera atividade A atividade econômica produz renda, trabalho, consumo e receitas públicas. E essas receitas ajudam a financiar as atividades do Estado e os serviços destinados à própria sociedade. Existe, portanto, um ciclo. O corretor aproxima pessoas. Dessa aproximação pode nascer um negócio. O negócio movimenta a economia. A economia gera trabalho e renda. E parte da riqueza produzida retorna à sociedade por meio da arrecadação pública. Quando enxergamos toda essa cadeia, percebemos como é limitada a ideia de que o corretor simplesmente “vende imóveis”. Ele é também um agente de movimentação econômica. Patrimônio parado ganha movimento Há outra forma simples de perceber essa importância. Um imóvel disponível para venda é patrimônio. Quando existe alguém interessado em comprá-lo, existe uma possibilidade de negócio. Mas é necessário que oferta e procura se encontrem. Uma das grandes funções econômicas da corretagem é justamente facilitar esse encontro. O corretor oportunidades, conhece aproxima o mercado, interesses, identifica apresenta alternativas e contribui para transformar intenções em negócios. Aquilo que estava parado começa a circular. O vendedor recebe recursos e pode reinvesti-los, consumir, adquirir outro imóvel ou iniciar um novo projeto. O comprador passa a utilizar aquele patrimônio. Outros profissionais são contratados. Novos negócios aparecem. É uma corrente. E o corretor está frequentemente no primeiro elo dessa movimentação. Segurança também é uma função social Mas existe algo que precisa acompanhar toda essa movimentação: confiança. Quanto maior o valor envolvido em uma negociação, maior a responsabilidade de quem participa dela profissionalmente. É por isso que a regulamentação da profissão não deve ser compreendida simplesmente como uma proteção ao corretor. Ela deve ser entendida também como uma proteção ao cidadão. Existem formação, registro, deveres profissionais e fiscalização justamente porque existe uma sociedade do outro lado da atividade. E o bom profissional deve enxergar isso como uma valorização. Ser corretor não significa apenas possuir autorização para intermediar. Significa assumir responsabilidade sobre confiança que alguém depositou naquele trabalho. a O cliente muitas vezes revela ao corretor quanto conseguiu economizar, quanto pode pagar, onde deseja morar, quais são seus planos e até suas dificuldades. O corretor entra, ainda que temporariamente, na intimidade dos projetos daquela família. Isso exige conhecimento. Mas exige também ética. Exige prudência. Exige sensibilidade. A tecnologia mudou o mercado, mas não eliminou as pessoas O mercado imobiliário de hoje é completamente diferente daquele de algumas décadas atrás. Temos portais com milhares de imóveis, fotografias profissionais, drones, mapas digitais, visitas virtuais, assinaturas eletrônicas, sistemas de financiamento cada vez mais integrados e, agora, inteligência artificial. Em poucos segundos um algoritmo pode localizar centenas de imóveis dentro de determinado preço, tamanho e região. Mas existe uma coisa que nenhuma dessas tecnologias consegue entregar sozinha: confiança humana. Uma plataforma pode descobrir que determinada família procura três quartos. Mas não sabe por que ela precisa do terceiro. Um algoritmo pode calcular a distância de uma casa até uma escola. Mas não conhece a história da mãe que está escolhendo aquele bairro justamente porque quer estar mais perto dos filhos. A inteligência artificial pode comparar preços, organizar documentos e analisar dados. Mas existem momentos em que alguém precisa ouvir, compreender, explicar, tranquilizar e assumir responsabilidade. Tecnologia corretagem. pode transformar Provavelmente transformará. profundamente a Mas o coração da profissão continuará sendo humano porque, no fim das contas, imóveis são negociados por pessoas para serem usados por pessoas. Muito além do vendedor de sonhos Talvez, então, seja possível dar um significado ainda maior à expressão “vendedor de sonhos”. O corretor de imóveis não vende apenas sonhos. Ele aproxima sonhos de possibilidades. Ajuda famílias a encontrar moradia. Aproxima compradores e vendedores. Coloca patrimônio em circulação. Movimenta uma extensa cadeia de serviços. Participa da geração de renda. Contribui para uma atividade econômica que produz arrecadação e recursos públicos. E acrescenta profissionalismo e responsabilidade a algumas das decisões patrimoniais mais importantes da vida das pessoas. Essa é a verdadeira dimensão social da profissão. 27 de agosto Por isso, neste 27 de agosto, talvez a melhor homenagem ao corretor de imóveis não seja medir sua importância pelo número de imóveis que vendeu. Nem pelo volume financeiro que negociou. Nem pelo número de contratos que assinou. Há uma medida muito mais humana. Quantas pessoas ele aproximou? Quantas famílias ajudou a encontrar um lar? Quantos patrimônios ajudou a colocar em movimento? Quantos negócios ajudou a nascer? Quantas histórias começaram depois de uma chave entregue? Porque, por trás de cada negociação imobiliária, existem números, contratos, tributos e patrimônio. Mas existem também pessoas. Existem famílias. Existem empregos. Existe renda. Existe atividade econômica. Existem recursos que retornam à sociedade. Existem projetos de vida. E existe um profissional ajudando a unir muitas dessas pontas. O corretor de imóveis vende, aproxima, orienta e movimenta. Movimenta patrimônio. Movimenta a economia. Movimenta recursos. Mas, acima de tudo, ajuda a movimentar histórias. E talvez seja essa a melhor definição de sua função social. Feliz Dia do Corretor de Imóveis. Att. Claudecir Conttreira Presidente CRECI-MT

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